| Mário Cordeiro afirma que é preciso perceber o que está em causa quando a "dona birra" aparece. É preciso explicar aos mais pequenos que, por vezes, é necessário mudar de jogada. O pediatra aborda os medos e as birras no seu último livro. |
| As birras fazem parte da vida e os medos também. Da vida dos mais novos e dos mais velhos. O que fazer quando não há maneira de convencer a criança a tomar banho? O que dizer quando os berros se ouvem no supermercado porque a compra não é satisfeita? Como contornar o choro quando o prato chega à mesa? Que estratégias usar quando se quer adiar os trabalhos de casa de amanhã? Mário Cordeiro diz que os pais não se devem sentir envergonhados, cansados ou esgotados com as birras. Elas existem e o importante é compreendê-las para saber como contorná-las. As birras não significam um comportamento anormal ou desviante. Nada disso. "As birras são a expressão daquilo que é a frustração, quando mal assumida, gerida e metabolizada. Temos desejos e expectativas, e temos a realidade. E o fosso entre um lado e outro pode ser grande, sobretudo quando colocamos as fasquias muito altas e, simultaneamente, consideramos que a nossa vida é péssima", explica o pediatra ao EDUCARE.PT. O autor de O Grande Livro dos Medos e das Birras, livro recentemente editado, diz que, quando mal gerido, o hiato de frustração conduz à raiva, à vitimização, perplexidade, incompreensão, agressividade. Os sentimentos multiplicam-se e crescer é um processo complexo. No caminho, é preciso aprender a lidar com as frustrações e os mais velhos devem mostrar aos mais novos que o mundo não acaba hoje, que há muito para fazer e que mudar de jogada, ou arranjar novas estratégias, fazem parte do prazer de viver. "Aprender a gozar o que se tem e não chorar sempre pelo que não se tem". A eterna insatisfação não conduz a lugar algum. "Mais do que não fazer birras é aprender a fazê-las, em qualquer idade", refere. O que se tem e o que se quer podem não coincidir, o fosso entre os dois mundos pode ser grande, mas o importante é ter planos B na manga. "As crianças, por terem menos experiência e sabedoria, entenderem pior os seus sentimentos e não terem uma visão sistémica do mundo, além de serem, por default, muito 'umbiguistas', narcísicas e egocêntricas, ficam num emaranhado de sentimentos que não sabem gerir". Quase num beco sem saída. "Enquanto não arranjarem uma 'saída para a crise', entram em disrupção corporal, incapacidade de pensar e, por vezes, agressividade extrema e violência". Há casos em que basta uns minutos para se recomporem e voltarem ao sítio. Não há milagres, nem receitas infalíveis, para prevenir birras. "Mas há bom senso, compreensão do 'enredo' da dona birra, perceção do que está em causa". E como explicar a uma criança que o seu comportamento é duvidoso? Com firmeza afetiva, dando um tempo para refletir e ajudá-la a ultrapassar o mau momento. Sempre mostrando que a disponibilidade é total. Explicar que nem tem de abdicar dos seus desejos - quando muito, terá de adiá-los -, nem que a sua vida é má e rasteira. O que não pode ser permitido são manifestações violentas: cuspir, morder, arranhar, bater, atirar com coisas, etc." Birras em miúdos, adultos caprichosos? Não há uma associação direta. "Há crianças mimadas no mau sentido, ou seja, têm tudo o que querem e, portanto, não se habituam a que o mundo do real é o mundo do possível e não do desejo e da fantasia. Quando acontece serem contrariadas ficam sem saber o que fazer". "Mas é verdade que uma criança que se habitua a fazer birras e, sobretudo, a ver as birras triunfarem e serem uma excelente moeda, nunca aprenderá a deixar de ser narcísica e omnipotente", adianta o pediatra. O livro de Mário Cordeiro pretende transmitir aos pais, educadores e todos os interessados que as birras e os medos fazem parte do dia a dia e que há perigos em não saber dar a volta a essas situações. Numa parte mais conceptual, o autor aborda o medo da morte. "É um livro que, para mim, fala de nós próprios enquanto seres humanos, e acho que os leitores vão gostar dessa perspetiva.". |
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Amora - As birras acontecem porque há dois mundos diferentes
Sara R. Oliveira | 2011-10-21 (retirado de www.educare.pt)
terça-feira, 4 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Amora - FENPROF alerta que mais cortes podem levar escolas à rotura
Lusa / EDUCARE | 2011-09-28
| Mário Nogueira alertou que mais cortes na Educação poderão levar algumas escolas à rotura, apelando ao Governo que não imponha mais restrições aos estabelecimentos de ensino. |
| Em conferência de imprensa, no Porto, Mário Nogueira disse que o setor da Educação não deve sofrer cortes orçamentais, à semelhança do setor da Administração Interna. "Agora que o Orçamento do Estado está em fase de elaboração, apelamos a que haja a consciência de que cortar na Educação, e de uma forma por vezes cega como se está a prever, pode ter consequências que podem ser ao nível de rotura do funcionamento de escolas", afirmou. Referindo que as escolas, no seu conjunto, contam com menos 10 mil professores do que no ano passado, Mário Nogueira adiantou que o apelo do ministro da Educação, Nuno Crato, a que se faça mais com menos, pode levar ao aparecimento de "situações insuportáveis". "O ministro pode dizer que se tem que fazer mais com menos, mas um homem da matemática sabe com certeza que seis são quatro mais dois e não quatro menos dois. Portanto, se o homem da Matemática diz que se tem que fazer mais com menos é porque está a fazer uma conta que não é possível fazer", concluiu. Mário Nogueira, que hoje de manhã se reuniu com as associações de diretores/dirigentes escolares, salientou que "também os cortes através das autarquias são muito preocupantes", porque é agora que "os pais e as famílias necessitavam de um reforço da ação social". Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), afirmou que "o mínimo para as escolas funcionarem está neste momento garantido", mas que "há o receio" de que mais cortes daqui para a frente ponham em causa o funcionamento das escolas. "Neste momento podem e estão a funcionar, mas não há condições para podermos sobreviver com mais cortes", frisou o responsável. Para a ANDE, além de perdas "na capacidade de intervenção", também o corte nos recursos humanos é preocupante. "Económica e socialmente as famílias estão a passar por muitas dificuldades e enquanto diretores de escola temos a necessidade de garantir a equidade", disse, salientando que, "tendo menos recursos humanos e financeiros, há menos condições para colaborar na diluição dessas diferenças". Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), afirmou que as escolas já têm as contas feitas para este ano letivo e que já "manifestam as suas preocupações pelo que poderá suceder". "Sabendo nós que devemos dar o nosso contributo neste momento difícil, é preciso salvaguardar o mínimo essencial para que a escola pública tenha capacidade de desenvolver o seu papel educativo", defendeu. |
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Centenas de escolas iniciam ano letivo sem psicólogos
Lusa / EDUCARE | 2011-09-06
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| Cerca de 300 escolas ou agrupamentos de escolas iniciam a partir de quarta-feira o ano letivo sem serviço de psicologia, uma vez que ainda não foi autorizada a abertura de vagas para a contratação destes profissionais. |
| Em declarações
prestadas Lusa, Daniela Gomes, do Movimento pró-ANPSE (Associação Nacional de
Psicólogos Escolares), lamentou que, "tal como sucedeu no ano letivo anterior,
este ano as escolas voltem a abrir sem o serviço de psicologia, estando estes
profissionais no desemprego desde 31 de agosto, quando terminou o contrato anual
de trabalho". "Voltámos à estaca zero. O ano passado só começámos a ser colocados a partir do final de novembro e este ano parece que vamos pelo mesmo caminho. Continuamos a aguardar pacientemente e na total incerteza que seja autorizada a abertura de vagas para o corrente ano letivo", disse. A Lusa solicitou esclarecimentos ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), mas até ao momento não obteve resposta. Neste momento, segundo Daniela Gomes, "nem os agrupamentos TEIP (territórios educativos de intervenção prioritária) têm autorização para a abertura de processo concursal para colocação de psicólogos". "Apenas as escolas com Serviço de Psicologia e Orientação (SPO), ou seja, psicólogos de quadro (cujo último concurso a nível nacional remonta a 1997), terão assegurados os serviços de psicologia. Desta forma, mais uma vez, estamos a falar de milhares de crianças e jovens que veem negado um direito consagrado na Lei de Bases do Sistema Educativo e no estatuto do aluno", sustentou. A psicóloga considerou que está em causa o apoio ao desenvolvimento psicológico dos alunos e à sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às atividades educativas previsto na Lei de Bases do Sistema Educativo. O movimento, que está a criar uma associação de âmbito nacional, reivindica a contratação profissional dos psicólogos pelo MEC, vinculando-os de forma estável e possibilitando-lhes a entrada e progressão na carreira. Nos últimos anos, os psicólogos têm sido contratados para desenvolvimento de projetos de combate ao insucesso escolar, por contratação de escola, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 35/2007, de 15 de fevereiro, e da Lei n.º 23/2004, de 22 de junho. |
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
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